terça-feira, 15 de março de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Pequeno absurdo
Essa pequena mulher está muito insatisfeita comigo, tem sempre algo a criticar em mim, sempre uma injustiça a me imputar, irrito-a por tudo e por nada; se alguém pudesse separar a vida em suas menores partes e analisar cada uma das partezinhas isoladas, sem dúvida cada partezinha da minha vida seria motivo de irritação para ela.
Trecho do conto Uma pequena mulher, de Kafka.
Trecho do conto Uma pequena mulher, de Kafka.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
2010 | livros
Desde maio não passo por aqui. Caramba.
2010 foi o ano mais importante e cheio da minha vida, e o blog saiu momentaneamente (ou semestralmente) da lista mental de prioridades/atividades.
Mesmo atropelado por estágio, monografia (plus três matérias que insistiram em me tirar do sério justo no último semestre da peleja), sinusite, infecção renal et al., ainda tive tempo de ouvir alguns discos, folhear alguns livros e ver alguns filmes -- 95% via torrent, o resto no cinema, é claro.
É isso. Começo pelos livros. Considero apenas os lançados no Brasil em 2010. Quer dizer: importados não estão valendo; mas estrangeiros vertidos para o português-br (como é bom diferenciar português-pt de português-br, não?), sim; isso é óbvio.
Nacionais
3 Zero - edição comemorativa 35 anos, de Ignácio de Loyola Brandão. Editora Global, 390 páginas
Não é um lançamento. Mas um baita relançamento que preciso mencionar. O romance caótico de José e Rosa é apenas um detalhe numa obra livre e absurda, proibida pela ditadura militar: o autor interfere na narrativa aqui e ali com inserções gráficas que traduzem os ruídos das ruas da capital paulista; cria um padrão de pontuação próprio; insere, entre os capítulos sobre o casal, manchetes jornalísticas, palavras de ordem do Estado, pequenas histórias (reais ou não) de mutações, violência urbana e repressão policial. É um livro ansioso, atônito, gritante, que ora exala ficção, ora realidade, num desequilíbrio que torna a leitura, a cada parágrafo vencido, uma experiência indecifrável. A edição traz um bônus gratificante: prefácio enorme com capas de edições anteriores e estrangeiras, e os bastidores da criação do título. Disfarçado talvez de erótico, Zero é um Trópico de Câncer pós-moderno, politicamente engajado e mais angustiante.
2 Eu vos abraço, milhões, de Moacyr Scliar. Companhia das Letras, 256 páginas
O novo título de Scliar, ambientado no Brasil dos anos 1930, é uma jornada sentimental e política mais interessada na evolução de seus personagens do que em veracidade histórica. Valdo deixa o Rio Grande do Sul após experiências inebriantes com as ideias comunistas: do amigo Geninho, levou para o Rio de Janeiro livros marxistas e um espírito revolucionário, à procura do líder do partido, Astrojildo Pereira. Mas lá, vira refém da sobrevivência, e se vê na condição de assalariado -- figura central da revolução. E, ainda por cima, com um emprego indesejável para um crítico da religião: ele é convocado para participar da construção do Cristo Redentor. Scliar é preciso no tom melancólico da narrativa, organizada como se Valdo estivesse contando a história de sua vida a um neto que mora nos Estados Unidos. Uma vida que, apesar da agitação proporcionada pelos eventos políticos, é simplesmente (e fragilmente) humana.
1 Cidade livre, de João Almino. Record, 204 páginas
O livro de Almino nos coloca diante de deliciosos detalhes históricos, acompanhados de belas descrições, e nos engana o tempo todo, desvelando a memória de personagens ficcionais -- gente que participou ativamente do sonho chamado Brasília. O escritor controla a narrativa com leveza, sem a preocupação de separar com evidência o real do ficcional. -- mais do que um mérito, uma habilidade. Estende-se em parágrafos longos, mas nunca repetitivos, e escreve uma "ficção da história" -- se é que isso de fato existe -- que parece tão nobre quanto as experiências dos "reais" candangos. A ficção, aqui, ganha um ar de eternidade. João (o personagem) começou a contar a história da Cidade Livre (hoje Núcleo Bandeirante) num blog e foi incentivado, por Almino, a organizá-la em livro -- uma brincadeira do autor consigo mesmo. O pai, Moacyr, registrou informações -- até mesmo famosas citações -- num caderno chamado Avante. À beira da morte, Moacyr conta a João, em sete noites, a criação da capital do país. Se Brasília é uma ficção que se tornou realidade, Cidade livre é o seu romance definitivo.
Estrangeiros
3 Bilionários por acaso: a criação do Facebook, uma história de dinheiro, sexo, genialidade e traição, de Ben Mezrich. Tradução: Alexandre Matias. Intrínseca, 232 páginas
Livro que inspirou o filme A rede social, de David Fincher, um dos melhores do ano e talvez favorito ao Oscar. A prosa sedutora de Mezrich é quase , de fato, um roteiro para cinema, com diálogos frenéticos e carregadas descrições. Mark Zuckerberg, que se recusou a ajudar no livro/filme, é um geek levemente psicopata, avesso a encontros sociais. O melhor amigo, Eduardo Saverin, um nerd mais descolado -- para não dizer yuppie. Numa travessura à lá Bill Gates -- Mark prometera ajuda aos gêmeos Winklevoss para a criação de uma rede social e acabou criando uma para si --, o sujeito mais estranho de Harvard criou um site de encontros que estimula o encontro entre conhecidos de conhecidos, ou amigos de amigos, ou as combinações entre as duas esferas. A escrita do código que organizaria tanta complexidade começou numa noite gelada, Mark sentado à mesa com notebook e pc ligados, alternando digitação e goles de cerveja. Foi assim que ele resolveu a tristeza de ter sido dispensado por um garota. Um gênio. Ou um traidor? Saverin, co-criador que garantiu a sobrevivência do site na rede com dinheiro do próprio bolso, preferiu Harvard à uma mudança para a Califórnia, como queria Zuckerberg. E Mark, friamente, distribuiu as ações do (ex) amigo aos novos investidores. A não-ficção de Mezrich, inspirada em centenas de páginas de processos judiciais e entrevistas, recusa-se a julgar Mark. Mas venera o legado do Facebook.
2 A vida secreta das árvores, de Ram Singh Urveti, Bhajju Shyam e Durga Bai. Tradução: Monica Stahel. WMF Martins Fontes, 44 páginas
As gravuras e textos de três dos principais artistas gondes (tribo no centro da Índia), publicados originalmente pela editora indiana Tara Books, têm algo de fantasmagórico e deslumbrante. Enquanto durante o dia a sombra gostosa e frondosa serve de abrigo e fornece conforto a animais e homens, à noite, os troncos são incorporados por espíritos lendários e contam narrativas folclóricas. Impresso em papel feito à mão, em serigrafia, o livro é um objeto de arte: dá até pra sentir o cheirinho de folhas úmidas e ouvir o sussurrar noturno de galhos agitados. A vida secreta é uma experiência completamente orgânica, uma peça artesanal que praticamente inexiste no mercado editorial.
1 A máquina de Joseph Walser, de Gonçalo M. Tavares. Companhia das Letras, 168 páginas
Joseph Walser é homem neutro. Presta serviços pesados na indústria em que trabalha, operando uma máquina. E tem um fetiche: coleciona pequenas peças metálicas e as cataloga minuciosamente, num quarto secreto. É oprimido pelo chefe e quase intocado pela esposa. Num deslize, sofre um acidente e perde um dedo. A guerra invade a cidade. E Walser continua neutro. Trabalha, coleta artefatos para a coleção, e joga dados com os amigos aos sábados. Tavares, num temperamento kafkiano, escreve com absurda economia de palavras, em capítulos curtos, um tratado cru, angustiante sobre a relação entre homem e máquina. Walser não dá uma palavra, não diz uma frase. Mas não é mudo. O seu silêncio fala. A sua neutralidade é sabedoria. (Não vejo a hora de ler os outros três títulos da tetralogia O reino, série dedicada à maldade.)
2010 foi o ano mais importante e cheio da minha vida, e o blog saiu momentaneamente (ou semestralmente) da lista mental de prioridades/atividades.
Mesmo atropelado por estágio, monografia (plus três matérias que insistiram em me tirar do sério justo no último semestre da peleja), sinusite, infecção renal et al., ainda tive tempo de ouvir alguns discos, folhear alguns livros e ver alguns filmes -- 95% via torrent, o resto no cinema, é claro.
É isso. Começo pelos livros. Considero apenas os lançados no Brasil em 2010. Quer dizer: importados não estão valendo; mas estrangeiros vertidos para o português-br (como é bom diferenciar português-pt de português-br, não?), sim; isso é óbvio.
Nacionais

Não é um lançamento. Mas um baita relançamento que preciso mencionar. O romance caótico de José e Rosa é apenas um detalhe numa obra livre e absurda, proibida pela ditadura militar: o autor interfere na narrativa aqui e ali com inserções gráficas que traduzem os ruídos das ruas da capital paulista; cria um padrão de pontuação próprio; insere, entre os capítulos sobre o casal, manchetes jornalísticas, palavras de ordem do Estado, pequenas histórias (reais ou não) de mutações, violência urbana e repressão policial. É um livro ansioso, atônito, gritante, que ora exala ficção, ora realidade, num desequilíbrio que torna a leitura, a cada parágrafo vencido, uma experiência indecifrável. A edição traz um bônus gratificante: prefácio enorme com capas de edições anteriores e estrangeiras, e os bastidores da criação do título. Disfarçado talvez de erótico, Zero é um Trópico de Câncer pós-moderno, politicamente engajado e mais angustiante.

O novo título de Scliar, ambientado no Brasil dos anos 1930, é uma jornada sentimental e política mais interessada na evolução de seus personagens do que em veracidade histórica. Valdo deixa o Rio Grande do Sul após experiências inebriantes com as ideias comunistas: do amigo Geninho, levou para o Rio de Janeiro livros marxistas e um espírito revolucionário, à procura do líder do partido, Astrojildo Pereira. Mas lá, vira refém da sobrevivência, e se vê na condição de assalariado -- figura central da revolução. E, ainda por cima, com um emprego indesejável para um crítico da religião: ele é convocado para participar da construção do Cristo Redentor. Scliar é preciso no tom melancólico da narrativa, organizada como se Valdo estivesse contando a história de sua vida a um neto que mora nos Estados Unidos. Uma vida que, apesar da agitação proporcionada pelos eventos políticos, é simplesmente (e fragilmente) humana.

O livro de Almino nos coloca diante de deliciosos detalhes históricos, acompanhados de belas descrições, e nos engana o tempo todo, desvelando a memória de personagens ficcionais -- gente que participou ativamente do sonho chamado Brasília. O escritor controla a narrativa com leveza, sem a preocupação de separar com evidência o real do ficcional. -- mais do que um mérito, uma habilidade. Estende-se em parágrafos longos, mas nunca repetitivos, e escreve uma "ficção da história" -- se é que isso de fato existe -- que parece tão nobre quanto as experiências dos "reais" candangos. A ficção, aqui, ganha um ar de eternidade. João (o personagem) começou a contar a história da Cidade Livre (hoje Núcleo Bandeirante) num blog e foi incentivado, por Almino, a organizá-la em livro -- uma brincadeira do autor consigo mesmo. O pai, Moacyr, registrou informações -- até mesmo famosas citações -- num caderno chamado Avante. À beira da morte, Moacyr conta a João, em sete noites, a criação da capital do país. Se Brasília é uma ficção que se tornou realidade, Cidade livre é o seu romance definitivo.
Estrangeiros

Livro que inspirou o filme A rede social, de David Fincher, um dos melhores do ano e talvez favorito ao Oscar. A prosa sedutora de Mezrich é quase , de fato, um roteiro para cinema, com diálogos frenéticos e carregadas descrições. Mark Zuckerberg, que se recusou a ajudar no livro/filme, é um geek levemente psicopata, avesso a encontros sociais. O melhor amigo, Eduardo Saverin, um nerd mais descolado -- para não dizer yuppie. Numa travessura à lá Bill Gates -- Mark prometera ajuda aos gêmeos Winklevoss para a criação de uma rede social e acabou criando uma para si --, o sujeito mais estranho de Harvard criou um site de encontros que estimula o encontro entre conhecidos de conhecidos, ou amigos de amigos, ou as combinações entre as duas esferas. A escrita do código que organizaria tanta complexidade começou numa noite gelada, Mark sentado à mesa com notebook e pc ligados, alternando digitação e goles de cerveja. Foi assim que ele resolveu a tristeza de ter sido dispensado por um garota. Um gênio. Ou um traidor? Saverin, co-criador que garantiu a sobrevivência do site na rede com dinheiro do próprio bolso, preferiu Harvard à uma mudança para a Califórnia, como queria Zuckerberg. E Mark, friamente, distribuiu as ações do (ex) amigo aos novos investidores. A não-ficção de Mezrich, inspirada em centenas de páginas de processos judiciais e entrevistas, recusa-se a julgar Mark. Mas venera o legado do Facebook.

As gravuras e textos de três dos principais artistas gondes (tribo no centro da Índia), publicados originalmente pela editora indiana Tara Books, têm algo de fantasmagórico e deslumbrante. Enquanto durante o dia a sombra gostosa e frondosa serve de abrigo e fornece conforto a animais e homens, à noite, os troncos são incorporados por espíritos lendários e contam narrativas folclóricas. Impresso em papel feito à mão, em serigrafia, o livro é um objeto de arte: dá até pra sentir o cheirinho de folhas úmidas e ouvir o sussurrar noturno de galhos agitados. A vida secreta é uma experiência completamente orgânica, uma peça artesanal que praticamente inexiste no mercado editorial.

Joseph Walser é homem neutro. Presta serviços pesados na indústria em que trabalha, operando uma máquina. E tem um fetiche: coleciona pequenas peças metálicas e as cataloga minuciosamente, num quarto secreto. É oprimido pelo chefe e quase intocado pela esposa. Num deslize, sofre um acidente e perde um dedo. A guerra invade a cidade. E Walser continua neutro. Trabalha, coleta artefatos para a coleção, e joga dados com os amigos aos sábados. Tavares, num temperamento kafkiano, escreve com absurda economia de palavras, em capítulos curtos, um tratado cru, angustiante sobre a relação entre homem e máquina. Walser não dá uma palavra, não diz uma frase. Mas não é mudo. O seu silêncio fala. A sua neutralidade é sabedoria. (Não vejo a hora de ler os outros três títulos da tetralogia O reino, série dedicada à maldade.)
sábado, 1 de maio de 2010
Ri de mim mesmo

O que importou pra mim foram as boas risadas que dei da arrogância de Boris e do deslumbramento de Melody diante da genialidade do físico, a brincadeira com os estereótipos norte-americanos (o típico sulista WASP, conservador e o típico nova-iorquino existencialista)... Observei no personagem de David um pouco de mim mesmo (estou falando aqui do modo como ele vê a vida, sempre desenganado com a suposta magia dos relacionamentos humanos e a idealizada beleza das coisas improváveis que acontecem conosco o tempo todo). Ainda continuo bastante pessimista, mas ao menos pude rir um pouquinho disso e notar como a dialética na qual procuramos enquadrar o mundo é às vezes desumana.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Observações dipensáveis sobre Sinédoque

Kaufman é Cotard. Sinédoque é ininteligível e inescrutável como a cabeça de seu realizador, num debut infelizmente um pouco exasperado — apesar da narrativa consistente. Ou talvez precisemos assistir ao filme mais algumas vezes, como fez Roger Ebert: para o crítico, esse foi o melhor da década passada.
domingo, 7 de março de 2010
Oscar: observações pré-festa
Apesar da farra de dez indicações a Melhor Filme, eu até gostei das películas que entraram na lista final. Não há nenhuma obra-prima, não há nenhuma lástima. Ainda bem. Legal ver surpresas como o movimentado sci-fi District 9 (Distrito 9) e a primeira indicação da Pixar ao prêmio principal, com Up - Altas Aventuras -- não achei tão bom quanto WALL-E, mas tudo bem. Já a indicação de The Blind Sinde (Um Sonho Possível) explicita bem o objetivo da Academia ao elaborar um Top 10 dos melhores do ano, levando em consideração o gosto do público -- o que é discutível; já que são dez filmes de dez estúdios, o interesse também é valorizar o mainstream e atrair público para ver "o filme que teve X indicações ao Oscar". Bateu uma saudade súbita de quando eram apenas cinco indicados, porque o suspense era maior -- nem tanto assim, mas tudo bem também. Hoje, já sabemos que a disputa vai ser entre The Hurt Locker (Guerra ao Terror) x Avatar (ou "Abadah", na voz de Schwarzenegger), Kathryn Bigelow x James Cameron. Minhas preferências e apostas estão listadas abaixo:

Preferência: A Serious Man (Um Homem Sério)
Aposta: Guerra ao Terror
Eu gostei de Avatar e adorei Guerra ao Terror. Mas achei o filme dos Coen absolutamente brilhante, uma comédia de humor negro brutal e cruel. Nunca os irmãos mais excêntricos do cinema fizeram um filme tão intimista e autoral quanto este -- não supera o meu favorito deles, Onde os Fracos Não Têm Vez. E tomara que não deixem de premiar Guerra ao Terror. Os deslizes das últimas semanas -- a palhaçada de um dos produtores, Nicolas Chartier, ao enviar e-mails a membros da Academia, pedindo votos; e o processo movido por um sargento de uma unidade antibombas contra o roteirista Mark Boal, por invasão de privacidade -- não devem ter efeito negativo na votação, que aconteceu um pouco antes dos escândalos.
Melhor Direção
Preferência: Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror
Aposta: idem
Bigelow é a grande estrela de Guerra ao Terror. A direção delicada e cuidadosa não deixa o filme rumar para o melodrama, nem para a ação descerebrada ou mesmo dar solucões para o conflito no Iraque.
Melhor Roteiro Original
Preferência: Mark Boal, por Guerra ao Terror
Aposta: idem
Só me decidi agora pelo script do Mark Boal, agora mesmo. Estava entre Boal e Tarantino, pelo divertidíssimo Inglourious Basterds (Bastardos Inglórios). Se há uma categoria imprevisível, é esta. A Academia costuma usá-la (e também a de Adaptado) para premiar filmes que não vão muito longe na premiação, mas possuem excelentes textos. Se Bastardos levar, não fico surpreso. (Não vi The Messenger, mas acho que não leva.)
Melhor Roteiro Adaptado
Preferência: Jason Reitman e Sheldon Turner, por Up in the Air (Amor sem Escalas)
Aposta: idem
Será o único prêmio da agradável comédia romântico-corporativa de Jason Reitman, co-adaptada do livro de Walter Kim com Sheldon Turner -- seu primeiro trabalho expressivo. Quando vi o filme, acho que no fim do ano passado, quase todo mundo apontava Amor sem Escalas como o favorito aos principais prêmios da temporada. Com Avatar esmagando recordes nas bilheterias e a crítica fazendo o hype de Guerra ao Terror, o filme perdeu ar (não resisti hehe), quero dizer, fôlego nos últimos meses e a preferência da imprensa. Mas esse prêmio é quase garantido. Muita gente gostou do debut de Nick Hornby no roteiro de An Education (Educação), mas eu achei bem fraquinho e convencional. (Ah, e eu não vi In the Loop, mas acho que não leva também.)
Melhor Atriz
Preferência: Carey Mulligan, por Educação
Aposta: Sandra Bullock, por Um Sonho Possível
Sem Sandra Bullock, Um Sonho Possível seria um filme ruim. Ela dá a energia que a trama precisa para funcionar e emocionar, mesmo com todo o catálogo de clichês que acompanha o script. Não vi Helen Mirren em The Last Station (indicado também em Ator, com Christopher Plummer), mas a mulher mais brilhante entre as indicadas é Carey Mulligan, de longe, a melhor coisa do um pouco decepcionante Educação -- e o overacting de Meryl Streep no insosso Julie & Julia não merecia ter sido lembrado.
Melhor Ator
Preferência: Jeremy Renner, por Guerra ao Terror
Aposta: Jeff Bridges, por Crazy Heart (Coração Louco)
Só vi a perfomance de dois indicados, fica difícil analisar. Só sei que gostei muito do Renner e que Bridges vai levar o prêmio, apesar de não ter visto Coração Louco -- a tradução literal ficou horrível, será que não dava pra realmente adaptar o original, não?
Melhor Atriz Coadjuvante
Preferência: Mo'Nique, por Preciosa
Aposta: idem
Não vi Penélope nem Maggie, mas vi Mon'Nique entregando uma atuação explosiva, sincera e até demasiado dramática. Do jeito que a Academia gosta.
Melhor Ator Coadjuvante
Preferência: Christoph Waltz, por Bastardos Inglórios
Aposta: idem
Saí da sessão de Bastardos embasbacado com a interpretação insana do austríaco. O pessoal de Cannes e do Globo de Ouro também. Com a Academia, espero que não seja diferente.
Melhor Filme de Animação
Preferência: -
Aposta: Up - Altas Aventuras
Oscar óbvio. O desenho é bonitinho, certinho e bobinho. Fora The Princess and the Frog (A Princesa e o Sapo), todos os outros parecem mais interessantes.
Melhor Filme Estrangeiro
Preferência: Un Prophète (O Profeta)
Aposta: Das weisse Band (A Fita Branca)
Leia meu último post.
Melhor Documentário
Preferência: The Cove (A Enseada)
Aposta: idem
Só vi The Cove, mas a torcida de todo mundo é por esse doc revelador sobre a matança de golfinhos em Taiji, Japão. Aliás, tem muito a dizer também sobre a ganância humana e a falta de cuidado com o meio-ambiente.
Melhor Montagem
Preferência: Bastardos Inglórios
Aposta: Guerra ao Terror
Exceto Preciosa (incompreensível menção; era pra ser a quinta indicação de Star Trek), os indicados têm um excelente trabalho de edição. Guerra ao Terror vai ganhar pelo conjunto da obra, apesar de a narrativa tarantinesca ter me agradado mais.
Melhor Trilha Sonora
Preferência: -
Aposta: Michael Giacchino, por Up - Altas Aventuras
Não dá pra opinar porque não conferi Desplat (O Fantástico Sr. Raposo) e Zimmer (Sherlock Holmes), e as trilhas de Horner (Avatar) e Giacchino (também de Lost) não me impressionaram -- Marco Beltrami, Buck Sanders, de Guerra ao Terror, quase não têm chance. Vou com o hype.
E para resumir o resto: Canção Original deve ficar com The Weary Kind, de Coração Louco; Direção de Arte e Figurino, com The Young Victoria (A Jovem Rainha Victoria); Maquiagem, com Star Trek (já que, você sabe, Avatar vai levar os prêmios técnicos, vou torcer pelo único prêmio que Star Trek tem chance de levar); e Som, Edição de Som, Efeitos Visuais e Fotografia, (aqui, torço por A Fita Branca) com Avatar.
A premiaçao nem começou, mas eu já me cansei do Oscar.
terça-feira, 2 de março de 2010
Oscar: Un Prophète vs Das weisse Band

Como bom cinéfilo moderado, não conheço direito a filmografia dos realizadores das películas supracitadas, Michael Haneke (só vi Funny Games, peço perdão) e Jacques Audiard (nada, peço misericórdia, mas estou baixando os dois longas anteriores dele). O hype está todo no filme do Haneke, que ganhou tudo -- Cannes, Globo de Ouro e ad infinitum. Audiard levou o prêmio de direção em Cannes, mas, olha, eu vi em O Profeta um estudo de personagem muito legal, que me lembrou vagamente o Scorsese de Mean Streets (Caminhos Perigosos) e Goodfellas (Os Bons Companheiros). Vagamente, gente. Audiard nunca será um Scorsese. No máximo, talvez um David Fincher melhorado. Para resumir: um thriller bem dirigido, divertido, com boas observações sobre a relação dos franceses com a comunidade árabe que vive no país e um climão melancólico à la 25th Hour (A Última Noite) -- e ainda tem a trilha sonora delicada de Alexandre Desplat, que, surpreendentemente, se encaixa perfeitamente na narração.
Não justifiquei por que não achei A Fita Branca digno da minha preferência. O filme é lindo, fotografia sofisticada (merece mais esta estatueta, mas terá que vencer Bastardos Inglórios, penso eu), gostei até da narração em off -- até da narração em off, gente. Isso sem falar nas atuações da criançada. Mas, não sei... ficou faltando aquele clima perturbador que eu esperava de um filme que foi vendido como "uma análise profunda da maldade humana".
Talvez eu precise ver mais coisa do Haneke. E devo. Dentro do que cada filme propôs, porém, O Profeta acertou nos alvos certos. O filme de Haneke, apenas no tributo estilístico ao cinema de Bergman.
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